A Crítica Social por trás de One Punch Man

Se você gosta (ou tem um amigo que gosta) de animes, provavelmente você se deparou com um careca “meio super herói” na sua timeline do facebook. Esse aí é o Saitama, prazer, One Punch Man.

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One punch Man é um mangá shonen que mostra a história de Saitama, um protagonista desleixado e trapalhão como muitos outros que já vimos por aí, e como bem sabemos a sua força de vontade tem um único combustível: se superar para ficar mais forte e combater o mal. Que nesse mangá é bem aleatório (e bom) diga-se de passagem. Saitama enfrenta desde um enxame de mosquitos da dengue a mando de uma rainha moriçoca até seres geneticamente modificados e ninjas, mas isso não é o que faz mangá ser popular, mas sim sua similaridade com super heróis americanos (Saitama usa uma capa de super herói e tudo mais), sua fantástica arte feita por Yusuke Murata (antigo desenhista do famoso Eyeshield21, mangá de Futebol americano), sua excêntrica história elaborada por One, suas lutas fenomenais (que dependendo do inimigo não chega a durar muita coisa) e pelo menos para mim, principalmente, sua crítica social.

Peraí, crítica social num mangá de lutinha?

Já no início da trama podemos ver que o protagonista não precisou de ter pais mortos, apocalipse zumbi ou ter vindo de outro planeta e ser criado por um terráqueo para se tornar um defensor dos fracos e oprimidos, mas sim não ter um emprego. É… a crise não está fácil nem aqui no Brasil e pelo que parece nem no Japão. O primeiro inimigo (isso não é spoiler, acontece no primeiro capitulo do mangá) é um homem que comeu lagosta demais e se tornou uma aberração meio lagosta/ meio humano. Ele ameaça matar a tudo e a todos mas quando vê os “olhos mortos” de Saitama que a pouco fora recusado em uma série de entrevistas de emprego, ele poupa aquela pobre alma por se “solidarizar” com ele e possuir tais olhos que já perderam a fé no mundo.

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E as críticas ao extremo e rigoroso regime de trabalho japonês não para por aí, mais para frente encontramos uma gangue de jovens que raspam a cabeça e se rebelam por não quererem trabalhar e ainda por cima querem receber dinheiro. Um grupo que meio que quer se rebelar contra a máquina de trabalho em que a sociedade se transformou, onde somos apenas peões do xadrez do capitalismo (mas isso não justifica roubar, matar e destruir como eles fizeram ok pessoal?).

Mas no fim é só porradinha?

Saitama mais para frente se encontra em uma crise existencial, quando heróis mais fracos que ele são reconhecidos pelas pessoas e ele não…
Ele acaba descobrindo então que sua popularidade está em baixa justamente por que ele não se “formalizou” como super herói, e para poder ser classificado como tal terá que fazer um teste escrito e de força para finalmente ser avaliado e quem sabe… Ser um herói conhecido.

Detalhe que ele quem motiva o dono desta fundação a criá-la, mesmo que indiretamente. Como muitos de nós Saitama é daqueles que meio que ainda não aceitou a vida adulta. Ficando mais preocupado com o dia da promoção da sua loja favorita do que com derrotar algum vilão que por ventura possa fazer mal a algum civil. Bem parecido com aquela vez que seu chefe te deixou bem desmotivado no trabalho perto de uma deadline importante e você meio que fez corpo mole por que não parava de pensar no cinema que ia rolar naquele dia mais tarde, ou aquela vez que você tinha uma prova importante na escola mas preferiu matar o tempo com alguma coisa banal e acabou que não estudou foi porra nenhuma.

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E será que isso chega a alguma conclusão?

Muitas pessoas dizem que animes são tão fantasiosos por um único e simples motivo: fazer com que quem cria a história ou quem está lendo se esqueça da pilha de cobranças e responsabilidades que a vida japonesa tem. No Japão como não é segredo, existe uma grande taxa de suicídio, e boa parte dela deve vir das pessoas que ficam frustraras por não conseguirem atingir as expectativas que seus familiares e amigos as depositam. Logo, com a cabeça cheia, e cansadas de tanto aporrinhamento, muitos deles veêm o mundo mágico dos mangás, animes e games como um refúgio seguro onde eles podem ter diversão, e finalmente ser relaxar. Ou seja não sabem lidar com essa vida chata de estudar pra prova, boleto no fim do mês, stress no trabalho e etc.

Saitama pelo menos pra mim mostrou que com força de vontade e perseverança se vai longe e se pode conseguir o que deseja ( mas também mostra que nem sempre o mundo é um mar de rosas depois que você está lá onde queria). Mas também me mostrou que se você está frustrado com seu trabalho e sua vida só há uma coisa que você pode fazer: mudar.
Pode ser doloroso no começo é complicado no caminho, mas com treino e foco você chega lá ( e perde uns cabelos no processo).

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About Author: Amauri

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